Videorreportagem – A interação de idosos com a Internet

O interesse de idosos pela internet tem se tornado cada vez mais frequente e os benefícios dessa interação são muitos: estimular a memória, ocupar o tempo livre, interagir socialmente.  Confira reportagem:

Produto realizado como complemento da pesquisa: “3ª Idade Digital – A interação de idosos com a Internet”, para a disciplina Comunicação e Cultura da Faculdade de Comunicação da UFBA.

Ficha Técnica

Produção: Mariana Guimarães
Reportagem: Gisele Santana
Imagens: Carlos Neto
Edição: Gisele Santana

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Um ciberfeminismo diferente

Rosi Braidotti

O primeiro momento do texto trata da inserção do pós-moderno na sociedade. Tanto no primeiro mundo (países desenvolvidos) quando nos segundo e terceiro (subdesenvolvidos) há discordâncias quanto às mudanças trazidas, nem sempre positivas, dessa adesão. Dessa forma, e em destaque, vê-se a criminalidade, perda do papel de Estado-nação nos países, homofobia e injustiças sociais. A questão econômica é mostrada nas considerações quanto aos países.

A partir disso, convenciona-se tratar de como o tecnológico se comporta, por vezes associado à cultura, nesse pós-modernismo. A ligação direta e contínua entre ela e o ser humano, seu papel simbólico. Braidotti revela sua duabilidade de opiniões quanto às atitudes do pós-modernistas e dos humanistas, além de falar sobre a necessidade da negação, desapego ao passado, atitudes menos nostálgicas como desafio de formar um pós-modernismo voltado para as práticasc culturais. Ela sugere a interpretação de gêneros literários menores, pouco explorados, começando assim um desconstrução ideológica e resolução dos problemas de nossas vidas e do nosso tempo. Trata-se também da morte, advinda e representada pela ficção científica dos gêneros fílmicos ocidentais como desconstrução desse humanismo, e também de autores que utilizam-se da nostalgia como forma de adentrar de forma mais expressiva o universo do pós-moderno.

Isso tudo serve para explicar que a crise da modernidade se encontra altamente relacionada com todas as crises e paradigmas sociais com as quais temos que lidar: inferiorização da mulher, machismo, homofobia e descaso com os menos favorecidos. A subjetividade corporificada proposta no texto, que diz respeito a distinção entre mente e corpo, além de toda questão de desconstrução da nostalgia.  É essa questão do “mente/corpo” que, segundo a autora, dá sentido aos problemas sociais. Ainda nisso, a reencarnação é encarada como uma soma contínua de momentos históricos espalhados e reagrupados em cada volta à vida, numa nova fase. Dessa forma, há a chance uma volta para fazer outra vez, tomar diferentes posturas, ou seja, criar novas possibilidades de reconstrução. O que tem se visto, no entanto, é a utilização de meios através dos quais a perfeição seja alcançada sem que pra isso haja uma busca do coletivo, voltando as intenções apenas para o individualismo.

A seguir, tomamos conhecimento do modo como feministas tem encarado o problemas com as crises políticas e sociais. São, assim, forçadas a modificar-se de forma imaginativa e além do convencional para elevar suas vozes. Por outro lado, a questão cultural e o adentramento da mulher nesse setor ainda é encarado como um desafio. É então definido esse anseio como “política de parodia”, podendo ser explicado como um jeito feminino de lutar e mostrar voz ativa, presença, luta e o mínimo de pacifismo. Essa postura, além disso, tem que ser fundamentada, ao passo que se dinamiza e se multiplica, para que, assim, tenha aceitação, reconhecimento e funcionalidade. Apresenta-se também a filosofia feminista como “como se”, que diz respeito à inclusão, através de uma essência formadora, deixando pra trás a tão falada rejeição para uma transformação do indivíduo e do seu convívio respeitoso com a sociedade. Nem que a forma, da mais em forma de paródia possível, seja a utilizada, com sua devida desconstrução dos paradigmas. O “como se” apropria-se também da ironia para, de forma dúbia, desconstruir o sistema, provocar.

A seguir, Braidotti nos apresenta o que se observa sobre a percepção feminista em relação à ficção científica. Esta é considerada como mutadora do papel fisiológico do corpo humano, por vezes representado o anseio do homem em reproduzir elementos através de máquinas, coisas estranhas. Dessa forma, segundo feministas, o papel materno de geradora é desconstruido, assim sendo coisificado, limitante da vida e da morte. Se forma a partir daí uma ideia de que os homens tem aderido cada vez ao papel paterno isolado, sem influências maternas, o poder do cyberpunk e a desconstrução do papel feminista tradicional em virtude do formativo diferenciado da aceitação da mulher de forma impositora, irônica, perturbadora, mas eficaz e em busca de tolerância para todos.

O texto, finalmente, adentra em uma questão mais direta ao que diz respeito das diferenças de acesso, oportunidade e diferenças entre homens e mulheres ao que diz respeito o uso do computador. São expostas todas as discordâncias, a ausência da mulher em certos cursos e profissões da área da informática, bem como apontamentos de que ainda há mais uma barreira que se forma entre os sexos. A proliferação da diferença é mais visível do que a própria solução. Braidotti adentra a questão das formações técnicas em informática que a cada minuto se aproximam mais do homem e, consequentemente, aos seus interesses. Se fala à respeito de exemplos, inclusive tornados filmes, de experiências onde homens, no seu “papel” como deus e criador científico, realiza aquilo que não pode conseguir com sua própria masculinidade: conquistar uma mulher. Precisa cria-la virtualmente para que o satisfaça. Percebe-se assim, a pobreza imaginativa que toma conta do homem, uma vez que deixa clara sua colocação como dominador sexual e ao mesmo tempo acomodado.

A desconstrução do ponto de vista masculino de dominação e superioridade vem tentado ser superado, principalmente pelos grandes grupos feministas. Dessa forma, esses grupos procuram reafirmar-se subjetivamente e superiorando-se no papel de igualdade da relação entre os sexos, ao passo que consideram a humanização masculina através de sua consciência transcedental.  Deve-se desconsiderar a o patriarcalismo, formando então uma simetria nas relações estabelecidas. A questão do desapego em relação à morte, desconstrução nostálgica do passado, compõe um dos fatores com os quais se deve lidar, já que isso é que provoca, por muitas vezes, o descompasso das relações. O texto termina apontando o que trará, de forma plena, essa igualdade. Complexidade, multiplicidade, simultaneidade, humor, igualdade de classes (das mais variadas formas) e ironia. A mulher precisa impor-se no ciberespaço para que dialogue próxima ao que deseja construir socialmente em papel de destaque.

E as questões de gênero na sociedade da informação?

Dafne Sabanes Plou

O texto de Sabanes Plou defende discutir questões de gênero, enfatizando a participação das mulheres na Sociedade da Informação, através da participação e do desenvolvimento mais amplo nas Tecnologias de Informação e Comunicação (TICs), considerando seus direitos à Comunicação. Sendo assim, a autora apresenta os desafios encontrados pelo público feminino em sua busca por uma plena participação no desenvolvimento das TICs, tais como: participação nas novas mídias, direitos trabalhistas no mercado de trabalho das TICs,  educação participativa na ciência e tecnologia, incentivo do acesso das mulheres ao processo decisório, e uma redistribuição equitativa dos recursos disponíveis no campo das TICs.

A autora ainda destaca que é impossível se pensar nas novas tecnologias de comunicação como sendo neutras em relação ao gênero. “As relações de gênero nas TICs, seja reforçando antigos papéis seja os alterando, destacam o impacto do contexto social e cultural no desenvolvimento e uso das TICs”. (p.156). Desse modo, as diferenças nas relações de poder entre gêneros, identificadas na sociedade, são reconstituídas na sociedade da informação. A ausência de vozes das mulheres é também vivenciada no uso das novas mídias. Esse é o principal ponto que Sabanes Plou discute, já que o acesso à mídia é relevante na medida em que o controle sobre o conhecimento e a informação constitui importante fonte de poder.

Exemplificando seu pensamento, a autora cita o movimento global em favor dos direitos das Mulheres na Plataforma de Ação de Pequim, como uma conquista, por colocar em pauta a discussão sobre mulheres e as novas tecnologias de comunicação. Segundo Sabanes Plou, quando as políticas de TICs são ligadas às questões de Direitos Humanos das mulheres, como declarado na Plataforma de Ação de Pequim, pode ser visto que as TICs oferecem um potencial para a defesa e o avanço desses direitos.

Para reduzir essas disparidades de gênero no uso de tecnologias, Sabanes Plou diz que as mulheres devem se envolver ativamente na definição, projeto e desenvolvimento  de novas tecnologias, para tentar evitar a exclusão digital e garantir oportunidades iguais no desenvolvimento tecnológico. Assim como também é importante educar as meninas para uma visão mais clara e ampla acerca das TICs, pensando nelas não apenas como usuárias, mas também desenvolvedoras de tecnologia.

 De uma perspectiva política, o problema normalmente é ignorado. “Há falta de reconhecimento por parte dos governos sobre as desigualdades de gênero em áreas sociais e particularmente nos campos científico e tecnológico. Como resultado, há falta de políticas públicas justas do ponto de vista do gênero” (p.169). Sabanes Plou sugere que para mudança desse cenário as políticas de TIC nos níveis internacional, regional e nacional precisam ser tratadas de forma a criarem uma cultura tecnológica apropriada para as mulheres.

 Outro argumento defendido no texto pela autora é a importância do Movimento Feminista no processo de tomada de decisões concernentes às políticas de TICs . Como, no caso do movimento das mulheres terem se tornado público ativo na Cúpula Mundial da Sociedade da Informação (WSIS), que se preocupa em garantir o princípio de equidade entre gêneros. Essa participação coletiva no campo da comunicação é elemento essencial para o fortalecimento e autonomia das mulheres.

 Bibliografia

SABANES PLOU, Dafne. E as questões de gênero na Sociedade da Informação?
Disponível em: < http://www.lucianosathler.pro.br/wordpress/wp-content/uploads/2008/02/153_179_direitos_a_comunicacao_genero_dafne.pdf >

Quase 20 % de idosos soteropolitanos utilizam a internet

Pesquisa realizada pela parceria do Instituto Futura e do jornal Correio* mostra dados referentes ao uso da internet por moradores dos bairros de Salvador. Os habitados pela grande maioria elitista lideram os altos índices percentuais de acesso, utilidades e ferramentas.

Ainda na pesquisa, vemos que 18,9 % dos idosos da cidade acessam à internet, porcentagem baixa em relação as demais faixas etárias. Segundo José Luiz Orrico, do Instituto Futura, “há uma resistência muito grande ainda. Mas isso não quer dizer que eles não achem a internet chata. Muitas vezes é uma questão de não saber como utilizar o computador.”

Clique aqui e confira os demais dados da pesquisa, em quais bairros a internet tem ganhado destaque e onde o uso ainda é baixo.

 

Brasileiros estão mais felizes na terceira idade

Uma pesquisa divulgada este mês pelo Programa de Novas Dinâmicas do Envelhecimento aponta que os brasileiros estão mais felizes quando chegam na terceira idade. Isso se deve a diversos fatores, como melhoria da qualidade de vida e avanço da medicina. De acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), dados do Censo Demográfico 2010 apontam que a população idosa no País cresce, enquanto diminui o número de jovens com até 25 anos. Segundo, reportagem especial do IG, com o aumento da expectativa de vida, as pessoas passaram a se deparar com um futuro pós-aposentadoria de 20 ou 30 anos e passaram a ocupar o tempo livre com a realização de projetos pessoais, como viagens, cursos e a prática de esportes.

É o caso de Jacy de Arruda Faccioni, de 93 anos, que desde menina sonhava em ser professora. “Vim de um regime bastante rígido e acabei me diplomando em contabilidade porque minha mãe não queria que eu fosse professora. Mas não desisti do meu sonho, e com 66 anos fui fazer Magistério”, conta ela, que participa de diversas atividades para idosos oferecidas pelo Serviço Social do Comércio (Sesc) de Campinas, no interior de São Paulo.

Leia a reportagem na íntegra aqui

Percepção do idoso em relação à Internet

Silvana Verona, Cristiane Cunha, Gustavo Pimenta, Marcelo Buriti

O artigo apresenta o resultado de uma pesquisa cujo objetivo é descrever a opinião do idoso referente à internet. Como vem sendo amplamente discutido nesse blog, o aumento da expectativa de vida contribuiu para uma maior integração de idosos na sociedade, caracterizando uma necessidade dos mesmos em acompanhar o desenvolvimento tecnológico. A pesquisa foi realizada com 32 idosos na faixa de 68 anos, desses 64% eram do gênero feminino e 36% do gênero masculino. Todos frequentadores de instituições com atividades voltadas para a terceira idade, na cidade de São Paulo. Como instrumento de pesquisa foi utilizado um questionário com questões endereçadas à identificar o perfil do usuário e as possíveis dificuldades existentes no acesso à internet por essa faixa etária.

Para construir a fundamentação teórica da pesquisa, os autores começam por definir os aspectos biológicos e psicossociais que definem o processo de envelhecimento em nossa sociedade, a partir de conceitos explorados por outros autores.  Barros (2004) diz que a velhice é encarada de uma perspectiva negativa, como a perda de varios aspectos: saúde, capacidade intelectual, vigor sexual e beleza. Stuart e Hamilton (2002) consideram que as pessoas idosas são vítimas de seus próprios estereótipos sobre o envelhecimento, criados ainda enquanto jovens. Já Ferrari (1996), discute que aliado à perda de status e desvalorização social, o idoso sente-se entediado com um tempo livre a que não estava acostumado.

Segundo os autores, a geração de idosos de hoje tem dificuldade em acompanhar os avanços tecnológicos, o que pode se constituir em um processo de exlcusão social.  Apresentando como alternativa  para esse problema, a educação digital, eles defendem o direito dos idosos em ter o acesso facilitado às novas tecnologias. Em seguida, demonstram resultados de pesquisas que concluíram os benefícios que o acesso à internet traz para os idosos, tais como: ampliar relacionamentos, aumentar a auto-estima, auxiliar no funcionamento cognitivo, diminuir sentimentos de trizteza e solidão, entre outros. Por outro lado, o excesso de informações disponíveis na Internet também pode trazer conflitos e dificuldades para seus usuários detectarem a veracidade de informações. Santos (2005) é citado no texto para demonstrar que, no início, muitos idosos sentem-se com baixa autoestima por sua inabilidade com as novas tecnologias, mas no decorrer da prática essa situação é revertida e eles ficam satisfeitos com os avanços alcançados.

Os dados da pesquisa indicaram que o e-mail é a ferramenta mais utilizada pelos idosos para se comunicarem, por apresenta-se de forma menos complexa que outras (chat, MSN, Skype). Alguns opiniram negativamente sobre a busca por novas amizades na rede, mas a maioria (59%) considerou uma boa oportunidade de interagir socialmente. Em relação as dificuldades relatadas concluiu-se que esta pode estar ligada a questões financeiras – muitos vivem apenas com o salário da aposentadoria e não podem pagar por uma conexão banda larga -, e a saúde, como problemas de visão. Por fim, o estudo demonstrou que os idosos consideram a internet uma ferramenta positiva e destacaram a ampla possibilidade de comunicação como uma das grandes vantagens de acesso, além da busca por novos conhecimentos. “Muitos consideram que a internet é uma forma de se ligar ao mundo.”

Bibliografia

VERONA, Silvana; CUNHA, Cristiane; PIMENTA, Gustavo; BURITI, Marcelo. Percepção do idoso em relação à internet. Disponível em: <http://www.sbponline.org.br/revista2/vol14n2/PDF/v14n02a07.pdf>.

Veja abaixo algumas tabelas referentes à pesquisa

La segunda brecha digital y las mujeres

Cecília Castaño Collado

O avanço tecnológico nem sempre se movimenta em direção aos mais favorecidos economicamente, podendo inclusive as classes médias acompanhar essas dinamização. Esse fenômeno é visto, principalmente, dentre os meio de comunicação e informação mais acessíveis (televisão, celular). Mas, como toda regra tem sua excessão, algumas vezes essa similaridade de informatização é falha ou inexistente, o modo como os usuários tomam conhecimento é interrompido. Exemplificando melhor, pode-se citar segmentos empresariais que adotam mudanças significativas nos seus modos de produção e produtos, o que pode assim representar perda de mercado e elitização pelos que podem acompanhar certas mudanças. Por fim, com essa troca de produção, perdem mercado e perdem mão de obra que, se não for especializada o suficiente para as adversidades, vai enfretar problemas em outros campos de trabalho.

A relação das inovações e as igualdades e desiguldades aí provocadas são analisadas por Everett Rogers e colocadas em em cinco grupos diferenciados sob variados aspectos. O primeiro deles, considerados minoria, são os inovadores, que não temem em desbravar as inovações e conhecê-las. O segundo, os “early adopters”, utilizam seu intelecto avançado para colaborar socialmente com as comunidades. O terceiro grupo, maioria, além da sabedoria, beneficiam-se da influência social que possuem. O quarto, também maioria, abrange os céticos e tradicionais, porém com baixo nível socioeconômico. E pra finalizar a série de grupos, diz respeito àqueles que são mantidos afastados socialmente dos benefícios proporcionados pelo uso da tecnologia, ou então não confiam neste uso.

A classificação de Rogers então agrega valores e define que o conhecimento tecnológico deve estar atrelado ao uso adequado desse entendimento, como o ensino, as apropriações e até um maior conhecimento próprio. Com isso, as chamadas fossas digitais são preenchidas, passando por cima do problema econômico da questão do uso.

A utilização dessas tecnologias está, então, como indispensável para uma boa apropriação e integração, acompanhando o fluxo e ritmo social. O indíviduo deve então pontuar suas necessidades e aproveitá-las.

Segundo Rogers, a exclusão digital distancia os indivíduos que se apropriam da internet e aqueles que estão atrasados quanto a isso. Pra ele, a questão financeira é essencial para que haja essa dinamização rítmica de conhecimento e acesso, uma vez que pessoas de condição melhor podem utilizar e acompanhar as tecnologias e seus usos. Mas pra isso, não basta apenas o dinheiro, e sim outro fator também fundamental, que são as habilidades específicas e pessoais que facilitam o uso individual e até o em grupo. Para Rogers, o uso da internet e das tecnologias é vantajoso pois aumenta o grau tanto do conhecimento, como dos próprios benefícios. Por fim, não é suficiente a escrita a e boa leitura, certas vezes em inglês, para que que exista um uso proveitoso e quase perfeitamente utilizável da internet. É necessário uma habilidade para recolher informações, processá-las e usá-las para atingir certos objetivos.

Outro tocante que se observa desse uso da internet e tecnológico é a questão de gêneros (homem e mulher). Existe inclusive uma crescente preocupação, nos últimos quatro anos provocada por uma diferença de acesso entre homens e mulheres. Indivíduos do sexo masculino utilizam muito mais a internet e são maiores utilizadores de computador em seus trabalhos. Pesquisas europeias apontam que jovens do sexo masculino , em alto grau percentual, utilizam e apropriam-se desse conhecimento mais do que mulheres, inclusive nas técnicas de utilização, dados de pesquisa, softwares e usos mais simples. E essa diferença, pelo menos ao que apontam os dados para o futuro, parece não mudar.

A divisão digital necessita também de uma boa qualidade do acesso à internet, uma vez que os acessórios e as capacidades são fundamentais. Para Korup e Szydlik três fatores afetam, por vezes, esse uso por pessoa física. O primeiro, capital humano, que inclui não apenas a educação formal, mas também o uso de computadores e da Internet no local de trabalho. O segundo, o contexto familiar, que inclui não só a renda familiar, mas sua composição e, em particular a presença de menores. O terceiro, o contexto social, que incorpora vários fatores (geracional, étnica, regional) entre os quais o mais importante é a de gênero.

Distrinchando a divisão, vê-se o que já foi anteriormente dito, o conhecimento direto da computação como bem de aprendizado e apropriação, diário, contato direto. Depois, a questão financeira que tem sido tocada desde bem antes, como necessária para que ocorra o acompanhamento da dinamização das tecnologias e da internet. E por fim, as questões sociais, geracionais, étnicas, regionais.

O avanço digital é necessário, está acelerado. O que precisa-se, hoje, é que se equipare a utilização entre homens e mulheres, com os mesmos níveis, a mesma facilidade e o devido reconhecimento desse uso, inclusive com um número maior de mulheres em cargos onde o uso direto da internet e do computador seja eficaz, fixo e reconhecido.

Bibliografia

CASTAÑO, Cecilia (Dir.) La Segunda Brecha Digital. Madrid: Cátedra/PUV, 2008. Disponível em: http://www.mujeresenred.net/spip.php?article1567